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“É estado de guerra”, diz prefeito de cidade ameaçada por barragem


Postado em 22 de Maio de 2019 - 6:51h

Desde que os moradores de Barão de Cocais, a 93 km de Belo Horizonte, souberam, na última semana, que uma estrutura está prestes a desmoronar na mina Gongo Soco, da Vale, as sensações de apreensão e medo se tornaram ainda mais presentes em suas vidas. Nas palavras do prefeito Décio Santos (PV), a cidade vive “um estado de guerra psicológica”.

Em grande parte, o clima se deve à incerteza sobre o futuro. Alguns moradores que já foram removidos de suas casas não sabem quando retornarão aos lares. Quem não foi realocado por morar em áreas em que a lama demoraria mais de uma hora para chegar, se angustia por não saber se a barrgem vai mesmo se romper, conforme relata a representante dos moradores da comunidade de Socorro, Isabel Cristina.

— A gente nao vê essa lama. Ela é invisível, mas está atingido a cada dia um morador. A nossa população está toda doente. A cidade está doente.

A dúvida é porque, até o momento, nem a Vale e nem os órgãos governamentais afirmaram que a barragem Sul Superior, que fica na mina Gongo Soco, vai colapsar como as de Brumadinho e Mariana.

Contudo, um estudo da mineradora viu que um talude, que é uma espécie de terreno inclinado que dá sustentação à cava (buruco para armanezamento de água) da mina, está se movimentando a um ritmo acelerado.

Wagner Nascimento, chefe da divisão de segurança de barragens de mineração da Agência Nacional de Mineração em Minas Gerais, explica que a conclusão é de que o talude deve desmoronar até o próximo sábado (25), mas ainda não é possível afirmar como a barragem, que fica a 1,5 km de distância, vai ser afetada.

— A queda do talude é inevitável. Mas não se sabe se a vibração vai abalar a barragem Sul Superior. O talude pode ir escorregando bem devagar, sem fazer movimentação alguma. Mas é algo que tem que esperar para saber.

Em entrevista ao R7, o prefeito Décio Santos (PV) classificou o cenário como “dramático”.

— É difícil conviver com esta situação. Não sabemos se de fato vai afetar a barragem ou não. Não sabemos se vamos morrer ou não.

Fonte: R7